
Weegee (1899-1968) foi um percursor do fotojornalismo, reatratando até à exaustão uma parte da vida que a sociedade queria ignorar: o crime. O fotógrafo da inquietação nocturna, com a sua câmara mágica (quase sempre regulada para o mesmo tipo de abertura, F/16, e usando o flash) quase antecipava, por alguma espécie de premonição, a cena de um crime.
(o fotógrafo no seu escritório improvisado, escrevendo sobre as suas fotografias)

Os jornais da manhã, lidos na azáfama dos cafés e dos transportes, estampavam as suas fotografias, vendidas ainda a tempo das edições matutinas. Weegee foi, verdadeiramente, um free-lancer da fotografia, viajando até ao fundo da noite de Nova Iorque, com a sua máquina fotográfica e a inseparável máquina de escrever!
De uma recente exposição sua, em Paris, se pode ler que Weegee «criou um estilo muito especial, directo e agressivo, campo-contracampo, como no cinema».
Conseguia também interceptar as comunicações policiais, com uma rádio pirata no carro, e muitas vezes chegava à cena do crime... antes da polícia!
«Weegee descobrira o horário da noite: entre a meia-noite e a uma, a hora dos curiosos atrás das miúdas, entre a uma e as duas, os assaltos [...], entre as duas e as três os acidentes de automóvel e os incêndios».
Este fotógrafo conhecia bem o género humano, o lado sombrio. A outra face da civilização.
Perto da morte e do riso

«Cette photo, pour moi, c'est la comédie humaine. Plutôt que de photographier le crime, il photographie la foule avec les parents de la victime.»
[de um crítico de fotografia, ao comentar esta primeira morte fotografada por Weegee].
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A fotografia seguinte, após um combate de boxe num bairro, envolve outra morte e o jogo das apostas populares, A estranheza e a zombetearia perante a morte fortuita. Uma fotografia em dois níveis de composição, conforme escreveu:
a tragédia e a comédia humanas.
Mas Weegee é também o poeta da solidão e da ternura possível.

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