Sexta-feira, 11 de Janeiro de 2008
Weegee, o fotógrafo da noite inquieta

 

Weegee (1899-1968) foi um percursor do fotojornalismo, reatratando até à exaustão uma parte da vida que a sociedade queria ignorar: o crime. O fotógrafo da inquietação nocturna, com a sua câmara mágica (quase sempre regulada para o mesmo tipo de abertura, F/16, e usando o flash) quase antecipava, por alguma espécie de premonição, a cena de um crime.

 

(o fotógrafo no seu escritório improvisado, escrevendo sobre as suas fotografias)

 

 

Os jornais da manhã, lidos na azáfama dos cafés e dos transportes, estampavam as suas fotografias, vendidas ainda a tempo das edições matutinas. Weegee foi, verdadeiramente, um free-lancer da fotografia, viajando até ao fundo da noite de Nova Iorque, com a sua máquina fotográfica e a inseparável máquina de escrever! 

De uma recente exposição sua, em Paris, se pode ler que Weegee «criou um estilo muito especial, directo e agressivo, campo-contracampo, como no cinema».

Conseguia também interceptar as comunicações policiais, com uma rádio pirata no carro, e muitas vezes chegava à cena do crime... antes da polícia!


«Weegee descobrira o horário da noite: entre a meia-noite e a uma, a hora dos curiosos atrás das miúdas, entre a uma e as duas, os assaltos [...], entre as duas e as três os acidentes de automóvel e os incêndios».

Este fotógrafo conhecia bem o género humano, o lado sombrio. A outra face da civilização.

 

Perto da morte e do riso

 

 

«Cette photo, pour moi, c'est la comédie humaine. Plutôt que de photographier le crime, il photographie la foule avec les parents de la victime.»

[de um crítico de fotografia, ao comentar esta primeira morte fotografada por Weegee].
.

 

A fotografia seguinte, após um combate de boxe num bairro, envolve outra morte e o jogo das apostas populares, A estranheza e a zombetearia perante a morte fortuita. Uma fotografia em dois níveis de composição, conforme escreveu:

 

a tragédia e a comédia humanas.

 

 

Mas Weegee é também o poeta da solidão e da ternura possível.

 

 

Para mais fotografias ver aqui.




publicado por wood às 16:14
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4 comentários:
De Mcg a 12 de Janeiro de 2008 às 21:36
There is always a restless dream in the darkest night showed by a merciless flashlight and waked up by one inaudible click.

Today, most of Weegee’s photos still have a power and truthfulness that has rarely been matched. I believe that many of his images of crime victims, burglars, petty offenders and tramps have become veritable classics. Yet he also had a keen eye for the position of outsiders and an outstanding sensitivity for social differences.

I wonder, thus the dreams of Weggee were also in black and white? Or could he see the colours of life besides the grey tonalities?

Thank you for this glimpse about his oeuvre that has influenced on later generations.


De wood a 12 de Janeiro de 2008 às 23:48
Thank you for your nice visit and thank you for your comment close to poetry.


De Mcg a 13 de Janeiro de 2008 às 19:49
:)


De Credito Pessoal a 30 de Setembro de 2009 às 18:20
Parabéns pelo blog.


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